Curitibano começou no Jiu-Jitsu aos 23 anos, tornou-se faixa-preta, professor e líder da JFC Almeida JJ em Curitiba. Oito vezes campeão geral pela FJJPR, Rangel Stelmaki lidera o Ranking Paranaense Masculino Adulto e Master em 2026 e busca fechar a temporada no topo.
Aos 39 anos, Rangel Stelmaki (@rstelmaki.bjj) vive uma das fases mais importantes de sua trajetória no Jiu-Jitsu. Nascido em Curitiba, no dia 27 de maio de 1987, o faixa-preta construiu uma carreira marcada pela regularidade nas competições, pelas finalizações e por uma relação que atravessa diferentes fases do Campeonato Paranaense de Jiu-Jitsu da FJJPR (@fjjpr).
Atualmente representando a JFC Almeida JJ, equipe liderada pelo professor Caio Almeida, Rangel é responsável pela Almeida JJ Curitiba (@almeidajj_curitiba) e região e chega à reta final da temporada de 2026 como líder do Ranking Paranaense Masculino Adulto e Master da FJJPR.
Mas a história começou muito antes da faixa-preta e dos títulos.
Do Judô, Capoeira e Muay Thai ao encontro com o Jiu-Jitsu
Rangel começou no Jiu-Jitsu aos 23 anos, depois de já ter experimentado outras modalidades de luta. Antes de chegar aos tatames da arte suave, passou pelo Judô, Capoeira, Boxe e Muay Thai.
O encontro definitivo com o Jiu-Jitsu aconteceu enquanto ajudava atletas que treinavam MMA.
“Um dia, ajudando os meninos no MMA, conheci o Jiu-Jitsu e nunca mais parei.”
Os primeiros treinos aconteceram em uma unidade da Gracie Barra, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, sob orientação do professor Adriano Novak.
A evolução dentro da modalidade o levou à faixa-preta em 2021, graduação recebida das mãos do professor Marcos Oliveira, o Cabeça.
A primeira experiência na FJJPR
A relação de Rangel com os campeonatos da Federação de Jiu-Jitsu do Paraná começou ainda na faixa-roxa.
Logo em sua primeira participação, ele conquistou o título de sua categoria e chegou à final do absoluto, terminando com a medalha de prata.
Rangel lembra que naquela época o campeonato possuía uma dimensão bem menor do que a estrutura encontrada atualmente no circuito.
Mesmo depois de tantos anos, uma das lembranças daquela estreia continua sendo justamente a final do absoluto.
“Perdi por dois pontos em um erro meu. Faltou malícia de competição”, recorda.
A derrota acabou fazendo parte do processo de amadurecimento competitivo de um atleta que, anos depois, se tornaria um dos nomes mais regulares do circuito estadual.
O primeiro título paranaense e uma trajetória de conquistas
Em 2018 veio um dos primeiros grandes capítulos dessa história: o primeiro título paranaense.
Rangel recorda ter disputado quatro combates naquela campanha, conquistando duas vitórias por finalização e outras duas por pontos.
Desde então, foram tantas participações que o próprio atleta já não consegue precisar quantas etapas disputou.
Um número, porém, ele conhece bem: Rangel é oito vezes campeão geral pela FJJPR.
Entre tantas temporadas, 2022 ocupa um espaço especial em sua memória.
Em seu segundo ano como faixa-preta, Rangel afirma ter alcançado 100% de aproveitamento nas competições da Federação, vencendo todas as lutas que disputou nas categorias de peso e absoluto ao longo de quatro etapas.
Foi uma temporada praticamente perfeita.
Mas nem sempre a conquista mais importante é aquela que aparece apenas nas estatísticas.
O retorno após oito meses afastado
Entre todos os títulos conquistados no Campeonato Paranaense, Rangel aponta como um dos momentos mais marcantes de sua carreira a volta aos tatames depois de uma cirurgia no bíceps.
Foram aproximadamente oito meses afastado das competições.
Além do desafio físico, o retorno marcava também uma nova etapa profissional e esportiva, agora representando uma nova equipe.
Na primeira competição depois da cirurgia, Rangel não apenas voltou a lutar: conquistou ouro no peso e no absoluto.
Aquele resultado ganhou um significado diferente.
Era a confirmação de que o atleta ainda poderia competir em alto nível depois de um período longo de recuperação.
Rivalidades que ajudaram a construir sua história
Uma trajetória tão longa dentro do Circuito Paranaense naturalmente também produziu grandes confrontos.
Entre os adversários mais marcantes, Rangel destaca Bruno Inocêncio, com quem protagonizou diversos combates, principalmente nas últimas temporadas.
Foram confrontos equilibrados e vitórias para os dois lados. Com o passar do tempo, a rivalidade esportiva acabou se transformando em amizade.
Outro nome importante nessa caminhada é Robson Luiz.
Os dois se enfrentam desde a faixa-roxa, mas Rangel lembra que precisou esperar até a faixa-preta para conseguir sua primeira vitória sobre o adversário que hoje considera um grande irmão.
Mais recentemente, um novo desafio apareceu em seu caminho: Jean, adversário que Rangel descreve como extremamente técnico e com grande vontade de vencer.
Foi justamente contra ele que aconteceu uma das lutas mais marcantes da temporada de 2026.
De 6 a 0 à finalização: uma das grandes viradas de 2026
Rangel estava perdendo por 6 a 0.
Diante de um adversário técnico e em uma luta importante para sua campanha, conseguiu mudar completamente o confronto.
Primeiro buscou a recuperação no placar. Depois, completou a virada com uma finalização.
Para um atleta que aponta justamente seu jogo de finalizações como uma das maiores evoluções desde suas primeiras participações na FJJPR, a vitória se tornou simbólica.
“Tenho uma taxa altíssima de vitória por finalização”, destaca.
A campanha colocou Rangel na liderança do Ranking Paranaense Masculino Adulto e Master de 2026.
Uma posição que sequer estava entre seus principais objetivos quando a temporada começou.
A liderança do Ranking Paranaense
Depois de ficar próximo do topo do ranking na temporada anterior, Rangel conta que se surpreendeu ao perceber que havia assumido a liderança em 2026.
Para ele, estar na primeira colocação representa também o reconhecimento de anos de trabalho.
“O mais importante é mostrar que o trabalho bem feito paga bem também. É reconhecimento técnico e pessoal e mostra que os masters vêm fortes.”
O resultado ganha ainda mais importância porque, segundo Rangel, permanecer competitivo tornou-se cada vez mais difícil.
Ele acompanha de dentro dos tatames a transformação do Campeonato Paranaense e destaca o crescimento técnico dos atletas.
“Se manter no topo é algo extremamente difícil, principalmente com os adversários cada vez mais técnicos e competitivos.”
Para Rangel, justamente por esse crescimento, o título conquistado em 2025 foi um dos mais difíceis de sua trajetória.
Agora, em 2026, existe um objetivo claro: encerrar a temporada como líder do ranking geral.
De competidor a professor
Enquanto construiu sua história como atleta, Rangel também desenvolveu outra carreira dentro do Jiu-Jitsu: a de professor.
Sua experiência dando aulas começou ainda na faixa-azul, quando auxiliava nas turmas infantis.
O que inicialmente era apenas uma função dentro da academia acabou se transformando em profissão.
Depois de trabalhar como instrutor em diferentes espaços, decidiu seguir seu próprio caminho. Em 2016 iniciou seu projeto e, desde 2017, mantém sua trajetória à frente de academia.
Hoje, Rangel é líder da Almeida JJ Curitiba (@almeidajj_curitiba), função que exerce há aproximadamente dois anos, e acumula quase uma década trabalhando em seu próprio espaço.
Conciliar a rotina de empresário, professor e competidor foi um dos grandes desafios dessa caminhada.
Segundo ele, isso só se tornou possível graças à formação de uma equipe de professores, instrutores e profissionais que trabalham também fora dos tatames.
E continuar competindo tem uma função que ultrapassa a busca pelas medalhas.
“O exemplo arrasta. Sempre acreditei nisso. Verem o professor deles como referência ali dentro com certeza tem um peso a mais.”
Resultados além do Campeonato Paranaense
Embora a FJJPR tenha papel importante em sua trajetória, Rangel também acumulou conquistas fora do circuito estadual.
Entre seus principais resultados estão o título de campeão Sul-Brasileiro sem kimono, conquistas em Opens da IBJJF/CBJJ, etapas do AJP Tour e participações em eventos como Imortal FC e Black Belt CWB.
Uma das performances mais impressionantes da carreira aconteceu justamente em sua estreia competitiva como faixa-preta.
No Circuito Mormaii, em Santa Catarina, Rangel disputou 16 lutas em uma única competição.
Venceu 15 delas.
E 14 vitórias aconteceram por finalização.
No No-Gi, conquistou ouro no peso e no absoluto. Com kimono, foi campeão de sua categoria e vice-campeão absoluto.
A única derrota aconteceu na decisão do absoluto com kimono, por 5 a 2, diante de um adversário que, segundo Rangel, tinha aproximadamente o dobro de seu peso.
Curiosamente, apesar dos grandes resultados sem kimono, ele ainda prefere competir de Gi.
Para o faixa-preta, o kimono exige um nível maior de refinamento técnico.
“Prefiro com kimono, pois acho que é necessário muito mais refino técnico do que no sem kimono. Mas meus melhores resultados são no No-Gi.”
A inspiração que vem de dentro da própria equipe
Quando questionado sobre seu maior ídolo dentro do esporte, Rangel não procura uma referência distante.
Sua principal inspiração é seu próprio professor, Caio Almeida.
Ele destaca principalmente a capacidade de Caio em conciliar as diferentes responsabilidades da vida.
“Pela dedicação e empenho como atleta, professor e pai de família. Ele é o exemplo.”
A relação com o professor também representa o momento atual de sua carreira, defendendo a JFC Almeida JJ e trabalhando na expansão e desenvolvimento da equipe em Curitiba e região.
“Hoje luto também por eles”
Por trás dos títulos, existe ainda uma motivação profundamente pessoal.
Quando olha para tudo que construiu — da chegada ao Jiu-Jitsu aos 23 anos até se tornar faixa-preta, professor, líder de academia e primeiro colocado no ranking estadual — Rangel lembra especialmente dos pais.
Seu pai costumava dizer que ele conquistaria seus objetivos porque era focado e “chato” quando decidia buscar alguma coisa.
Rangel transformou aquelas palavras em combustível.
“Para honrar ele, eu vou atrás de tudo que prometi para ele que eu seria.”
A mãe, que também faleceu recentemente, tinha uma maneira simples de definir o filho.
Ela o chamava de campeão.
“Hoje luto também por eles.”
Talvez seja justamente essa frase que melhor explique por que, depois de tantos campeonatos, títulos e anos dentro dos tatames, Rangel continua encontrando motivos para competir.
Um novo objetivo para 2026
A temporada ainda não terminou.
Depois de oito títulos gerais pela FJJPR, campanhas históricas, recuperação de uma cirurgia, rivalidades construídas durante anos e centenas de horas dedicadas ao esporte, Rangel chega à reta final de 2026 com mais uma meta.
Terminar o ano como líder do Ranking Paranaense Masculino Adulto e Master.
Para 2027, o desafio pode ser diferente. Rangel admite a possibilidade de buscar novos confrontos, inclusive se aventurando entre os absolutos mais pesados, ao mesmo tempo em que pretende aumentar sua participação como professor durante as etapas.
Aos 39 anos, ele começa a olhar para o legado que pretende deixar.
E quando perguntado sobre como gostaria de ser lembrado na história do Jiu-Jitsu paranaense, sua resposta não passa pelo número de medalhas, títulos ou vitórias.
“Como um cara que trabalha para o bem do Jiu-Jitsu, como formador de pessoas e incentivador desse lifestyle.”
Depois de uma trajetória construída como atleta, professor e competidor, essa talvez seja a próxima disputa de Rangel Stelmaki: transformar tudo o que conquistou dentro dos tatames em uma contribuição que permaneça para além deles.




