Flavio Behring, nascido em 21 de novembro de 1937, no Rio de Janeiro, é um dos grandes nomes vivos da história do Jiu-Jitsu brasileiro. Detentor da faixa vermelha (9º grau), sua trajetória se confunde com as próprias origens da arte suave no Brasil, tendo iniciado sua prática ainda na década de 1940.
Infância e primeiro contato com o Jiu-Jitsu
O primeiro contato de Flavio Behring com o Jiu-Jitsu aconteceu em 1947, quando ainda era criança. Na época, Flavio enfrentava dificuldades comuns à infância, incluindo bullying na escola, algo que influenciou diretamente sua formação pessoal.
A aproximação com o Jiu-Jitsu ocorreu também por meio da relação entre sua família e a família Gracie. Seu pai era jornalista e fotógrafo, tendo produzido registros e materiais importantes relacionados aos Gracie naquele período, o que gerou proximidade e confiança entre as famílias.
Foi nesse contexto que Helio Gracie, atento à situação do jovem Flavio, teve papel decisivo em sua introdução à arte suave. Embora sempre supervisionado por Helio Gracie, o instrutor direto responsável por sua formação técnica foi Alvaro Barreto, um dos nomes da primeira geração do Jiu-Jitsu brasileiro.

Formação tradicional e base técnica
O aprendizado de Flavio Behring ocorreu em uma época em que o Jiu-Jitsu ainda não possuía estrutura esportiva, campeonatos organizados ou sistemas de graduação amplamente definidos. O ensino era direto, rigoroso e baseado na eficiência real, com forte ênfase em disciplina, controle emocional e caráter.
A convivência com Helio Gracie e o treinamento sistemático com Alvaro Barreto moldaram profundamente sua visão sobre o Jiu-Jitsu, não apenas como técnica de combate, mas como ferramenta de desenvolvimento humano.
Vida adulta e o Jiu-Jitsu como caminho paralelo
Durante grande parte de sua vida adulta, Flavio Behring manteve o Jiu-Jitsu como um caminho paralelo, conciliando a prática e o ensino com uma atividade profissional fora dos tatames. Diferente de outros nomes que se dedicaram integralmente desde cedo, sua entrega total ao Jiu-Jitsu foi gradual e consciente.
Em 1988, mudou-se do Rio de Janeiro para Sao Paulo, em um período em que o Jiu-Jitsu paulista já estava em crescimento. Sua presença contribuiu tecnicamente e conceitualmente para o cenário local, somando-se a um movimento que já vinha sendo construído por outros professores e academias da capital, sem assumir um papel central ou fundador nesse processo.
Família, perdas e dedicação mais profunda ao Jiu-Jitsu
Flavio Behring é pai de quatro filhos. Dois deles se tornaram figuras conhecidas dentro do Jiu-Jitsu:
- Sylvio Behring, que seguiu carreira na arte suave e se tornou um dos principais professores do país.
- Marcelo Behring, faixa-preta, que teve papel importante dentro do Jiu-Jitsu, mas faleceu precocemente.
Além deles, o mestre também teve uma filha, que faleceu ainda muito jovem, e um filho caçula, que chegou até a faixa marrom de Jiu-Jitsu.
A perda de seus filhos marcou profundamente sua vida pessoal. Esses acontecimentos representaram um ponto de amadurecimento e reflexão, após o qual Flavio Behring passou a se dedicar de forma mais presente e intensa ao Jiu-Jitsu, especialmente no papel de transmissor de conhecimento, valores e filosofia.
Faixa vermelha e o gesto da faixa branca
Em 2006, Flavio Behring recebeu oficialmente a faixa vermelha (9º grau), reconhecimento máximo dentro do Jiu-Jitsu, que simboliza décadas de prática, ensino e contribuição à arte.
Anos mais tarde, já octogenário, protagonizou um gesto que se tornou parte importante de sua história: decidiu simbolicamente trocar a faixa vermelha pela faixa branca. O ato não representou mudança de graduação, mas sim uma mensagem clara sobre sua filosofia — a de que o aprendizado nunca termina e que, independentemente do grau alcançado, o praticante deve manter a mente aberta e a postura de aluno.

Legado
O legado de Flavio Behring está menos ligado a títulos ou competição e mais à preservação da essência do Jiu-Jitsu tradicional. Sua trajetória atravessa diferentes fases da arte suave, desde seus primórdios até a consolidação moderna, sempre mantendo valores como humildade, disciplina e respeito às origens.
Mestre Flavio Behring permanece como uma referência histórica viva, cuja história ajuda a compreender não apenas o desenvolvimento técnico do Jiu-Jitsu, mas também sua dimensão humana e filosófica.
Meu nome é Diego Alves de Andrade, fundador da JIU-JITSU BRASIL, faixa roxa de Jiu-Jitsu e entusiasta das histórias do mundo da luta.