Uma abordagem terapêutica para inclusão de alunos autistas
Prof. LEANDRO VIEIRA
Faixa Preta 1º Grau AURUM
Advogado (FURB) e Professor de Educação Física (UNICESUMAR)
Neuroeducador pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
FIC em Educação Especial Inclusiva – FASUL
Acompanhante Terapêutico com enfoque em ABA – Flórida Tech (EUA) Instagram e Youtube: @jiujitsucomproposito

RESUMO
O Jiu-Jitsu brasileiro, reconhecido por sua estrutura disciplinar e progressão rigorosa de faixas, tem se mostrado uma ferramenta eficaz na promoção do desenvolvimento físico e social de crianças e adolescentes. Para alunos dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), a prática do Jiu-Jitsu pode oferecer benefícios significativos, especialmente quando adaptações específicas são implementadas para atender às suas necessidades únicas. Este artigo explora a justificativa terapêutica para que professores de Jiu-Jitsu considerem adaptações na graduação padrão, conforme definida pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) e Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ). Essas adaptações incluem o uso de reforçadores alternativos, como adesivos, bótons ou bordados em formatos atrativos, e a modificação da periodicidade das avaliações, com o objetivo de melhor incluir alunos autistas na modalidade.
- INTRODUÇÃO
O Jiu-Jitsu é uma modalidade de arte marcial amplamente praticada, destacando-se pelo seu sistema hierárquico de graduação.
No entanto, para alunos com TEA, esse modelo pode não ser suficientemente motivador ou adequado.
A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) propõe estratégias que podem ser aplicadas na estruturação de um sistema de graduação personalizado para cada aluno autista.
Este artigo visa provocar professores e academias a pensarem sobre a possibilidade de personalizar graduações para alunos atípicos, que não violem os formatos já estabelecidos pela IBJJF, mas apenas complemente-os.
- O Papel do Reforço Positivo no Desenvolvimento de Alunos Autistas
A ABA enfatiza o uso do reforço positivo para aumentar a freqüência de comportamentos desejados, ou diminuição e/ou extinção de comportamento disruptivos.
Reforçadores tangíveis como adesivos e símbolos visuais, podem ser mais eficazes para crianças autistas do que reforçadores sociais, como elogios verbais (Cooper, Heron & Heward, 2020).
- Adaptações na Graduação: Incorporando Reforçadores Tangíveis
A progressão tradicional de faixas no Jiu-Jitsu pode não ser suficientemente motivadora para alunos com TEA. Implementar reforçadores alternativos, como adesivos e bordados com símbolos de inclusão, pode ser uma estratégia eficaz para incentivar comportamentos positivos e participação ativa (Leaf et al., 2015).
A IBJJ e CBJJ recomendam 3 formas de periodizar as avaliações dos alunos entre 4 e 15 anos, quais sejam:



Porém, nada impede que o professor que atenda alunos autistas realize avaliações ainda mais frequentes, desde que perceba que essa estratégia possa beneficiar o desenvolvimento e melhorar a aprendizagem do aluno.
Para isso, poderá fazer uso de reforçadores alternativos ou subtipos, como adesivos, bótons ou bordados em formatos atrativos e que tenham significado específico para cada aluno atípico.
Além disso, a modificação da periodicidade das avaliações poderá ter o objetivo de manter o aluno ainda mais motivado e engajado na conclusão de atividades, comportamentos-alvo ou mesmo diminuição e/ou extinção de comportamento disruptivos.
Enfim, utilizar subtipos de avaliações personalizadas que possam melhorar a motivação e engajamento de alunos atípicos nas atividades, conforme demonstrado por estudos sobre reforço imediato na aprendizagem de habilidades motoras e sociais (Kazdin, 2012).

- Considerações Finais
A implementação de adaptações na graduação do Jiu-Jitsu pode beneficiar significativamente alunos autistas, promovendo inclusão, desenvolvimento social e motivação, e desde que coexistam com as normas básicas de avaliação estabelecidas pela não violam nenhuma norma padrão.
Professores devem considerar abordagens individualizadas e baseadas em evidências para estruturar sistemas de reforço mais eficazes.
A adoção dessas práticas pode não apenas melhorar a experiência dos alunos com TEA, mas também contribuir para um ambiente mais inclusivo, alegre e motivador.
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- Referências Bibliográficas
- Cooper, J. O., Heron, T. E., & Heward, W. L. (2020). “Applied Behavior Analysis”. Pearson.
- Kazdin, A. E. (2012). “Behavior Modification in Applied Settings”. Waveland Press.
- Leaf, J. B., Taubman, M., McEachin, J., et al. (2015). “Applied Behavior Analysis and Autism Spectrum Disorder”. Springer.
- Sundberg, M. L., & Michael, J. (2001). “The Benefits of Functional Communication Training in Children with Autism”. Journal of Applied Behavior Analysis.