Naturais de Gramado, os irmãos Caio Vargas e Maya Vargas encontraram no esporte o próprio caminho de formação.
Entre estudos, treinos no tatame e desafios no mar, cresceram dividindo finais de semana entre campeonatos de Jiu-Jitsu e provas de natação em águas abertas. O kimono e o mar fazem parte da mesma essência.
Maya, aos 8 anos, faixa cinza com preta, foi líder do ranking 2025 da International Brazilian Jiu-Jitsu Federation em sua categoria.
Caio, 12 anos, faixa laranja, também é multicampeão e vem consolidando seu nome entre os principais talentos da nova geração.
Mas, por trás das medalhas, existe uma construção familiar sólida. A Jiu-Jitsu Brasil conversou com o pai dos atletas, Bernardo Vargas, faixa marrom de Jiu-Jitsu, que falou sobre formação, valores e propósito.
🎙️ ENTREVISTA – BERNARDO VARGAS
📚 Educação e rotina
1. Antes de falarmos de competição, como seus filhos vão na escola? Conseguem conciliar bem os estudos com a rotina de treinos e outros esportes?
Eles vão muito bem na escola. Sempre deixamos claro que o esporte caminha junto com a educação, nunca na frente dela. A rotina é organizada: estudos, treinos no tatame, natação no mar e momentos em família. Eles praticamente não usam celular, então o tempo é direcionado para atividades que agregam. O esporte, inclusive, ajuda na disciplina e na concentração dentro da sala de aula.
🧠 Formação e impacto do Jiu-Jitsu
2. Eles praticam vários esportes, mas em qual ponto específico você acredita que o Jiu-Jitsu mais impactou a vida deles? Se pudesse destacar apenas um aspecto, qual seria?
Se eu tivesse que escolher apenas um, diria: controle emocional. O Jiu-Jitsu ensina a lidar com pressão, frustração, medo e vitória. No tatame você aprende rápido que precisa respirar, pensar e agir com equilíbrio.
3. Como você enxerga hoje o Jiu-Jitsu na vida dos seus filhos? Ele é apenas um esporte ou já se tornou algo maior dentro da formação deles?
Hoje é muito mais que um esporte. É uma ferramenta de formação. O Jiu-Jitsu molda caráter, ensina respeito, empatia e humildade — principalmente quando um sobe no pódio e o outro não. Isso constrói laços e maturidade.
4. Você sendo faixa marrom de Jiu-Jitsu, qual o maior valor que acredita que a arte suave pode proporcionar na vida dos seus filhos?
Resiliência. A arte suave ensina que você pode estar em uma situação desfavorável e ainda assim encontrar uma saída. Essa lição vale para a vida inteira.
🏆 Competição e resultados
Aprenderam cedo que nem sempre os dois sobem no mesmo lugar do pódio.
No Sul-Americano do ano passado, Maya foi campeã enquanto Caio ficou em terceiro lugar. Neste ano, os dois tiveram a alegria de subir no lugar mais alto.
Mas a maior vitória não está na medalha — está na construção diária.
5. A que você atribui esse sucesso expressivo deles no Jiu-Jitsu esportivo?
Constância. Eles treinam o ano todo. Não é algo sazonal. E existe um equilíbrio importante: Jiu-Jitsu, natação em águas abertas e o surf como estilo de vida. O mar fortalece o físico e a mente, o tatame organiza o pensamento.
6. Em qual academia eles treinam atualmente e quem são os professores responsáveis pela formação deles?
Eles treinam na equipe Start Doing, que tem papel fundamental nessa caminhada. Os professores são o Luciano, Mauro, Chapolin, Jeferson e João.
7. Qual é o diferencial da escola onde eles treinam?
A metodologia é firme, mas saudável. Existe cobrança, mas com respeito à idade e ao processo. O foco não é apenas formar campeões, é formar pessoas.
🔥 Futuro e propósito
8. Qual é o seu maior desejo em relação aos seus filhos dentro do Jiu-Jitsu?
Que continuem felizes treinando. Que o esporte seja um meio de crescimento, não uma pressão. Se vierem títulos, ótimo. Mas que nunca percam o brilho no olhar.
9. Quais são os próximos objetivos deles nas competições?
Seguir competindo nos grandes eventos da IBJJF, Circuito Mormaii e ADCC. Cada campeonato é mais um capítulo de aprendizado.
👨👩👧👦 Mensagem aos pais
10. Que recado você deixaria para os pais que pensam em colocar seus filhos no esporte?
O esporte ensina o que muitas vezes a gente não consegue ensinar só com palavras.
Se puderem, incentivem mais de uma modalidade para que eles se identifiquem e descubram suas aptidões. Mas, na minha visão, o Jiu-Jitsu e a natação deveriam ser prioridades.
São habilidades de sobrevivência que você vai querer que seu filho tenha.
No fim, não é sobre formar campeões.
É sobre formar filhos preparados para a vida. 🥋🌊
O pódio passa.
O que fica é quem você se torna no caminho.